quinta-feira, 12 de junho de 2014

Olimpíada de 2016 já custa R$ 36,7 bilhões e supera Copa em 43%


A Olimpíada de 2016, que acontecerá no Rio de Janeiro, vai custar pelo menos R$ 36,7 bilhões. A primeira estimativa do custo global dos Jogos foi relevada nesta quarta-feira (16), no Rio de Janeiro, junto com a divulgação do "orçamento de legado" do evento. Esse orçamento contém a lista de obras de metrô, de linhas de ônibus, meio ambiente e melhorias na infraestrutura do Rio para os Jogos (veja lista abaixo).

Só essas obras vão custar R$ 24,1 bilhões. Disso, 57% será pago com dinheiro público e 43%, com recursos privados. Serão 27 projetos, segundo o presidente da APO (Autoridade Pública Olímpica), general Fernando Azevedo e Silva. Até hoje, 24 deles já têm custo definido. Três ainda serão licitados.
Também compõe o orçamento geral da Rio-2016 o custo da construção dos centros esportivos necessários para a Olimpíada e alguns projetos essenciais para o evento. Esses projetos foram listados na Matriz de Responsabilidades apresentada em janeiro. Eles estão orçados atualmente em R$5,6 bilhões. Além disso, o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio-2016 vai gastar R$ 7 bilhões com a Olimpíada.
Vale lembrar que todo o investimento necessário para a realização da Copa do Mundo de 2014 é de R$ 25,6 bilhões, segundo o Ministério do Esporte. Esse valor leva em conta todas as obras em estádios do Mundial, mais todos os projetos de legado relacionados ao torneio de futebol. A Olimpíada do Rio, portanto, já custa 43% a mais que a Copa.
CONFIRA O ORÇAMENTO DA OLIMPÍADA DE 2016
Arenas – R$ 5,6 bilhões (estimativa incompleta)
Legado – R$ 24,1 bilhões 
(estimativa incompleta)
Investimento do Comitê Rio-2016 – R$ 7 bilhões
CUSTO TOTAL – R$ 36,7 bilhões
Custo na candidatura – R$ 28,8 bilhões
Custa da Copa de 2014 – R$ 25,6 bilhões
Aumento no custo
Em 2008, quando o Rio apresentou seu dossiê de candidatura à sede da Olimpíada de 2016 ao COI (Comitê Olímpico Internacional), calculou-se que a Olimpíada custaria R$ 28,8 bilhões. Esse valor foi apresentado em reais, sem levar em conta a inflação acumulada de 2008 a 2016.
Hoje, a Olimpíada do Rio já custa 27% mais do que o planejado em 2008. Esse percentual, porém, deve aumentar já que projetos que ainda não foram licitados não tiveram seu custo incluído nos orçamentos divulgados até hoje.
Amanhã, por exemplo, a prefeitura lançará a licitação do Parque de Deodoro. Só isso já deve elevar ainda mais o custo dos Jogos.
O prefeito Eduardo Paes ressaltou, entretanto, que não considera correto comparar o orçamento da Olimpíada hoje com o dossiê de candidatura de 2008. "Existem muito mais coisas para o legado, que ficarão para a população. Também teve a inflação. Se fizer a correção, os R$ 28,8 bi de 2008 seriam R$ 39 bi hoje. Ou seja, a Olimpíada está R$ 3 bi mais barata", disse ele.
Paes esteve na entrevista coletiva que marcou a apresentação do orçamento. O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, e o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, também falaram sobre o custo dos Jogos.
Rebelo disse que boa parte dos projetos incluídos no legado olímpico estavam planejados antes mesmo do Rio tornar-se sede da Olimpíada. Já Pezão destacou que os projetos do governo do Rio, incluindo a ampliação do metrô e a despoluição da Baía da Guanabara, estão em execução.
Promessas excluídas
O "orçamento de legado" da Olimpíada de 2016 não incluiu alguns projetos previstos no dossiê de candidatura do Rio à sede dos Jogos. Ficaram de fora investimentos de R$ 731 milhões em segurança, R$ 20 milhões em saúde, além das melhorias necessárias no aeroporto do Galeão.
O governador Pezão afirmou que o investimento em segurança vem sendo feito há anos pelo governo. Já Rebelo disse que o aeroporto do Galeão será reformado pela sua nova concessionária, que investirá R$ 19 bilhões no local.
Na parte municipal do orçamento de legado, o BRT TransBrasil também não entrou. A obra não havia sido incluída no dossiê de candidatura, mas foi prometida pelo prefeito Paes para a Rio-2016. O projeto atrasou e não ficará pronto para os Jogos.
Atrasos e crise
A apresentação do "orçamento de legado" da Olimpíada de 2016 foi feito com um mês de atraso. A APO (Autoridade Pública Olímpica) havia informado em janeiro que a lista de obras seria divulgada na segunda quinzena de março. Porém, isso só ocorreu na segunda quinzena de abril.
Atrasos, aliás, fizeram parte do toda a divulgação de orçamentos ligados à Rio-2016. O presidente do Comitê Organizador, Carlos Nuzman, prometeu em 2012 apresentar o orçamento do órgão em 2013. A divulgação só ocorreu neste ano.
Indefinições sobre a organização dos Jogos Olímpicos são um dos problemas apontados pelo COI relacionados à Rio-2016. Neste mês, o comitê olímpico anunciou uma série de medidas para acelerar a preparação do Rio para a Olimpíada após uma série de críticas de federações esportivas ao ritmo dos preparativos.
O prefeito Paes, inclusive, aproveitou a entrevista coletiva sobre o orçamento para rebater às críticas sobre a Rio-2016. Ele disse que os projetos estão andando dentro do cronograma. Ainda criticou os presidentes de federações que reinvindicam a construção de obras olímpicas faraônicas no Rio.
"Não vou fazer aqui um Ninho de Pássaro [estádio olímpico de Pequim]" disse ele. "Não vou construir no Rio um estádio que virará um mausoléu em homenagem ao desperdício de dinheiro público."
CONFIRA A LISTA DE PROJETO DE LEGADO DA RIO-2016
Prefeitura: 14 projetos - R$ 14,3 bilhões
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 5 de mobilidade urbana: VLT (Veículo Elétrico sobre Trilhos); BRT Transolímpica; BRT Transoeste; Duplicação do Elevado do Joá; e Viário da Barra
. 2 de Meio Ambiente: Reabilitação Ambiental de Jacarepaguá; e Saneamento Zona Oeste - Bacia do Rio Marangá
. 3 de renovação urbana: Porto Maravilha; Controle de Enchente da Grande Tijuca; e Requalificação Urbana do entorno do Engenhão
. 4 de desenvolvimento social: Montagem das 4 Escolas da Arena de Handebol.
Governo do Estado: 10 projetos - R$ 9,7 bilhões
. 3 de Mobilidade: 2 para Linha 4 do Metrô; e a reforma de seis estações de trem
. 7 de meio Ambiente: Todos ligados à Baía de Guanabara e Complexo de Lagoas da Barra da Tijuca
Governo federal: 3 projetos – R$ 110 milhões
.2 para a abertura do Laboratório Brasileiro do Controle de Dopagem (LBCD); e um para a criação Rede Nacional de Treinamento 
FONTE: UOL

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